E eu lamento tanto que te tornes veneno nas mãos de outros e que eu me torne gelo com o passar dos segundos. É triste, realmente arrepiante, a maneira como a minha temperatura corporal desce e os batimentos do meu petrificado coração desaceleram. A vida, essa que corre veloz parece não saber por onde andamos sabes? É como se já não houvesse calor, suor até aos cabelos, arrepios e sorrisos de mãos frias e coração quente. Nada de silêncios constrangidos e tímidos, nada de olhares doces e suaves, nada de paixões escondidas ou borboletas no estômago. Nada de nada, nada de mim.
Fui eu, este ser humano egoísta que deixou que o tempo te levasse, aliás, não o culpo a ele. Eu deixei que fosses, é tão simples quanto isto: eu vi-te partir de lágrimas nos olhos e costas curvadas e nada disse, nenhum remorso senti. É esta a minha desumanidade: ter tanto medo de me perder de novo que me agarro às regras que eu própria criei e no fim, eu não amo ninguém pelo puro egoísmo de achar que se te amar, não conseguirei amar-me a mim. É como se amor fosse um recurso não renovável.

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