quarta-feira, 5 de outubro de 2011


Passou quase " meio século" desde que os meus dedos não tinham vida própria sobre as teclas daquele piano velho e abandonado. Recordo-me tão bem da primeira e última vez que o fiz. A primeira fora no teu colo, era tão pequena, mas tão cheia de manias, queria ser pianista e bailarina ( e tu rias-te). Esses teus dedos grandes e ásperos, tocaram comigo.
 Da última vez foi antes de te teres perdido nessa tua consciência de que não voltarias, nós sabíamos que aquela seria a última vez que tocariamos juntos, e mesmo com este tamanho sentaste-me no teu colo, foram as horas mais felizes que passei diante daquele piano. Disseste-me ao ouvido que eu sempre fora a tua pianista de eleição  (sorri-te), porque por pequenos instantes realizaste-me um sonho antigo.
  Sempre que sinto saudades tuas, sento-me lá mas de alguma forma parece que me esqueço de como se toca, mas ontem foi diferente, a revolta era grande e toquei como nunca havia tocado, a verdade é que nessas tuas sábias palavras tinhas razão, o piano também nos sente, tambem pode ser um confidente. Aquele nosso "amigo" esta velho e eu sei que da próxima vez que queira estar contigo, apenas vou encontrar as suas marcas no chão. Por isso ontem despedi-me também da nossa sinfonia. Obrigado.

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