Parece-me que o mais dificil é manter o encanto, vai-se diluindo entre as palavras amargas, as acções impensadas, entre as marcas perdoadas mas nunca apagadas. Não são apenas fases que vêm e vão, são fases que marcam, doem, e destroem sempre um pouco mais de todo aquele império que achamos que nunca será derrotado.
Morrem os gestos de carinho, o silêncio partilhado, mata-se a genuidade do amor, depois torna-se algo meramente fisico e carnal, torna-se no choro de quem quer algo mais. Como em tudo na vida, vamos aguentando, porque por mais que custe existem sempre razões que nos prendem, existe a esperança de que tudo volte a ser encantador, que as conversas ainda sejam as mesma, existem memórias que nos lembram de que já foi real, existe sobretudo amor. Será ele suficiente? Desvanece a figura de companheiro, e nem sempre porque as suas acções mudem mas muitas das vezes porque as palavras não são as mesmas. Não é urgente a minha mente encher-se de imagens do teu corpo junto ao meu, é sim urgente eu encher-me de certezas que estarás ali, sem sequer deslizares, no momento mesmo que não o certo, com as palavras certas.
Quando é sério não e suposto quebrar o gelo ou a tensão e suposto enfrentar, derrotar e mais tarde celebrar, rotinas-te a ti mesmo de palavras e pensamentos errados, para as ocasiões erradas. E penso que é assim que o tempo desliza levando consigo o nosso encanto, aquilo que nos tornaria realmente diferentes. E penso que é assim que o coração gela, e o império inquebravel cai pelo chão...
O que nos sustem é ainda amor...

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