sexta-feira, 29 de março de 2013

   Ultimamente só me lembro que este cantinho, que criei já à três anos, existe quando sinto saudades de pessoas que hoje de uma forma ou de outra já não pertencem ou já não estão presentes na minha vida. Todos nós temos saudades de algum tempo que passou, de quem hoje não está por perto, e eu não sou muito diferente. Já nem sei escrever, costumava ter algum controlo no que escrevia, e soava-me sempre tão bem cada palavra, parece que perdi o jeito, perdi a capacidade de transpor aqui as minhas emoções. 
Parece-me que perdi muitas coisas neste tempo que passou. 
   Começo a mentalizar-me que vamos sempre ter de perder alguma coisa pelo caminho, e que um pouco de nós fica também para trás. Não quero voltar atrás para recuperar, apenas porque não quero voltar a sentir aquela dor, mas continuar significa também deixar espaços vazios. 
Tudo mudou de um momento para o outro, sem que eu pudesse sequer parar esta correria do tempo, não tive qualquer reacção sobre nada, escapou-me tudo por entre os dedos. Muitas verdades, muitas mentiras, muitas coisas que hoje já não sei se não preferia que tivessem ficado fechadas numa caixa no sitio mais distante do meu coração. 
   Nada é o que parecia, ninguém é quem dizia ser, nada é tão real assim, e as vezes gostava de ter continua a acreditar numa patética mentira. Já não consigo enumerar para mim mesma uma razão pela qual ainda valha a pena, acreditar nestes seres humanos todos tão cheios de si. E a pessoa que melhor me entendia nem sequer me pode agarrar, nem sequer pode falar comigo. Foi uma reviravolta sem sequer que eu tivesse algum tempo de assimilar cada acontecimento. Querido tempo abranda, e dá-me umas tréguas. 


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